segunda-feira, 11 de outubro de 2010
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Caminhos da Sexualidade Feminina
Os Caminhos Da Sexualidade Feminina.Odegine Graça.
Palavras chaves : Gozar, Sexualidade feminina, Mulher e historia da sexualidade, o feminino sagrado, o feminino profano, quetões de gênero, mulheres santas, questões de virgindade.
O gozo feminino partindo do sagrado até a profanação do mesmo. Vem trazendo as questões do feminino a tona. faz necessário repensarmos as questões do feminino desde a mais tenra antiguidade, para compreendermos o gozo como era dado, postulado na ordem divina da natureza. O feminino na antiguidade era visto e vivido como sagrado. O tempo roubou a imagem sagrada da mulher, e passou a demonizar os símbolos da deusa alegre, linda livre que gozava e trazia vida, trocando essa imagem pela da virgem santa. Para os povos antigos o feminino estava estreitamente ligado a sexualidade. O ato sexual estava relacionado ao divino, os ritos sexuais eram considerados o único caminho, para o homem, entre a terra e o céu. No século III, diante das ameaças de divisão de Roma e os conflitos entre pagãos e cristãos, o imperador resolveu unificar Roma sob uma única religião: o cristianismo. O poder estabelecido em Roma, predominantemente masculino, sentia sua ascensão ameaçada pela mulher, então decidiu eliminar esse poder de criar vida, dando esse poder a um deus masculino e reduzindo a mulher a um papel de procriadora. A mulher foi então apontada como um ser negativo e o seu gozo, sua sexualidade ganhou o caráter pecador, imoral. A mulher foi então cantada em verso e em prosa como objeto do gozo imoral, aquela que impedia o homem de transcender, de chegar até Deus. A partir de então a mulher que merecia atenção e respeito era a procriadora, sem prazer sexual, aquela mulher representada pela virgem Maria. Sexo estava desvinculado do prazer. As mulheres santificadas, as mães puras, não gozavam. As transgressoras, aquelas que despertavam a libido do homem e que tinham prazer com os mesmos, eram as mulheres carnais e não mereciam atenção. Assim ficaram divididas, as mães que não gozam e as prostitutas que sentem prazer e gozam. As primeiras mereciam respeito e honra, as segundas eram relegadas ao plano da marginalidade, ao escuro, à noite, as transgressões. Ousar questionar esses valores e entregar-se a sexualidade significava o desvio do caminho divino, ou seja, viver no pecado, na maldição, na impureza. Com o a ascensão do Iluminismo, o poder de determinar papéis passou das religiões para a lógica e para ciência, mas a nova “medicina” não questionou o papel da mulher e simplesmente repetiu o discurso anterior. A era mudou e o poder da cultura manteve a associação do corpo feminino, do gozo feminino, ao diabólico, ao negativo, a loucura. Isto traçou o caminho de muitas mulheres e o destino de quase todos os casamentos e relacionamentos sexuais até os dias de hoje. Propor uma reflexão sobre o gozo feminino sob a concepção do sagrado e do profano é motivar as mulheres a repensarem seu papel na história e a questionarem sua própria história.
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Homem e natureza, uma unidade.
A BioArte-Integração é uma técnica artística que visa comunicar através de obras de arte o fato de que as emoções do homem e a forma como ele age e interage no mundo mostram a sua natureza integrada ou desintegrada do ambiente. É uma tentativa de Despertar, Conscientizar, da importância de sentirmos e agirmos com o coração, a razão, e todos os nossos sentidos, sabendo que somos a natureza e a natureza somos nós. De maneira metafórica: estamos doentes, e em conseqüência de nossa doença, estamos adoecendo e destruindo a natureza. É preciso que o homem se cure, “Cura-te a ti mesmo” para que a natureza seja preservada e tenhamos um mundo para nossas gerações vindouras. É preciso acordar, é preciso agir saindo do narcisismo exacerbardo, nesse esquema psicótico no qual estamos inseridos, e presos, essa cadeia tão fortemente traçada para nossos sentidos e aceita pela nossa razão adoecida. O homem esta sofrendo, perdido e angustiado e como tal esta o seu mundo externo. Não temos calma, nem verdades, vivemos em “desassossego” total com todos os “Ss” possíveis, todos os dias de nossas vidas e procuramos tantas maneiras de sossegar nossos sentidos que já nem sabemos nomear... e tudo é tão rápido... e de verdade essa droga toda em todos os sentidos só serve para trazer mais desassossego para nossas vidas já tão perdidas. O homem não tem um porto seguro. Dentro de cada homem encontra-se somente um mar raivoso, trevas de constantes sofrimentos e nos perdemos dentro de nós e nos perdemos fora de nós. E já não sabemos o que é real... E assim em estado de psicose fluímos em um mar de angustia e desconfiança, destruindo a tudo e a todos, sem ter relação verdadeira com os outros ou com outras coisas diferentes de nós mesmos, nesse espelho embaçado e distorcido, nesse lago narcísico vamos nos afogando em amor-ódio por nós e por tudo que nos cerca. Gritar e pedir socorrooooo... Sair desse marasmo... Mudar, transformar nossa percepção. Parar com a destruição interna para que cesse a externa. Entrar na vida, viver a vida, respirar a transitoriedade sem a tentativa de sermos deuses vingadores, sermos humanos integrados a nossa natureza e a natureza de todas as coisas. Pertencer. Conseguir estar junto, entre, respirar com... Este é o desafio e a cura do homem. Tente todos os dias saber quem é você mesmo de verdade. Tente todos os dias separar o lixo que não é lixo de dentro e de fora de você. Saiba que seu interno é reflexo de seu externo e vice versa... Tenta... Vai.... Faça sua vida hoje valer a pena. Respire. Recicle. Resignifique. Isto é possível... Queira estar vivo. Ainda temos chance.
Flores do Mal

Flores do Mal.
A Natureza do Homem
O Homem E a Natureza
O poeta e crítico francês Baudelaire marcou com sua presença as últimas décadas do século XIX, influenciando a poesia internacional de tendência simbolista. De sua maneira de ser, originaram-se na França os poetas “malditos”.
Baudelaire inventou uma nova estratégia de linguagem, incorporando a matéria da realidade grotesca a linguagem sublimada do romantismo, criando, dessa maneira, a poesia moderna.
Sua obra prima é o livro As Flores do Mal, cujos poemas mais antigos datam de 1841. Além de celeuma judicial, o livro despertou hostilidades na imprensa e foi julgado, na época, imoral.
Charles Baudelaire possui uma produção fortíssima que retrata a inquietude, o mal, o degredo e as paixões da alma humana. Sua vida sempre flutuou entre a noite, a boemia e paixões alucinantes. Poeta da vida e da alma humana, trouxe para os seus versos todos os prazeres que o homem pode desfrutar entre um e outro copo de vinho. As Flores do mal, sua obra prima, nos faz deparar com o limbo de cada uma de nossas almas, com o tédio de nossa existência, com o mesquinho de nossa essência, com a paixão do ser humano.
É preciso mergulhar nessa obra para descobrir quais são as flores que o “mal” produz.
Justificativa
Este trabalho fundamenta-se em Charles Baudelaire, em seus poemas catalogados em seu livro “Flores do Mal”. Como representante de um panorama cultural, que se mostrava nos idos de
Nesse sentido as Flores do Mal, aqui apresentadas em releitura analógica, mostram as sementes plantadas por um movimento desumano de uma visão fragmentada da vida, que cresceram e geraram um jardim de dor, sofrimento, solidão e barbárie no coração dos homens, os quais construíram seus próprios calabouços e escreveram sua própria destruição.
Objetivo
É o de alertar, provocar um olhar sobre um universo diferente daquele que estamos acostumados em nosso cotidiano. É o de mostrar que por detrás de uma beleza plastificada e perfeita, consumida dentro de um desejo irrefreado de consumir, escondem-se emoções que nos consomem, destruindo a nós e ao sistema ecológico como um todo.
Descrição
As Flores do Mal aparecem aqui como uma leitura plastificada dos poemas de Baudelaire, sem deixar a letra de lado, ou seja, os poemas acompanham a obra, como um grito de alerta aos danos causados a nossa natureza humana e a natureza externa. Os materiais utilizados para a confecção das expressões, são garrafas pets, garrafas de vidro, caixas de papelão, caixas de leite e de sucos longa vida, vidros de xampu e desodorante, garrafas de água mineral e roupas para dar o formato do humano. As formas aqui brincam com o rígido, a fixidez, o claro e o escuro, o desconforto e o conforto interno provocado pelas expressões. Brinca com o permanente e o impermanente. O material utilizado é inovador em forma e mistura, provocando mais uma provocação à procura de soluções inovadoras e humanas para velhos conceitos castradores. Esta exposição é um grito, um chamado a pulsão de vida do homem e para encarar sua sombra, sua pulsão de morte, que é onde paradoxalmente encontra-se a salvação para sua vida. O lixo produzido no mundo é usado para moldar o lixo da natureza humana, o nosso interior poluído que num relacionamento de equidade perfeita com o exterior suja a nossa sociedade e nosso ambiente. Mas esse mesmo lixo interior, estes mesmos fantasmas, também pode ser reciclado e se tornar nossa mais poderosa força humana, nossa mais poderosa força de vida e consequentemente, transformarem a nossa realidade exterior, afinal, “Quanto Pior Melhor”, e “Quanto Melhor Pior”. Somente quando soubermos realmente nosso poder de destruição é que poderemos transformá-lo em poder de construir a vida. Precisamos fazer isto no simbólico, na arte, nas nossas emoções, para não destruirmos o real. Tudo aquilo que não é simbolizado, que não é DITO, é agido, como disse Freud.
Saber de nossas forças destruidoras é preciso, falar disso é preciso, para que possamos fazer agir no amanhã um real iluminado, respirável e sadio para nossos filhos e nossos netos.
Material Utilizado: garrafas pets, caixas de leite longa vida, fios, gesso, tinta, tecidos, caixa de papelão, recortes de jornais e revistas, napa, pedras coloridas.
Bosques, encheis de susto como as catedrais,
Como os órgãos rugis; e em corações malditos,
Quartos de terno luto e choros ancestrais,
Todos sentem ecoar vossos fúnebres gritos.
Eu te odeio, oceano! e com os teus tumultos,
Já que és igual a mim! Pois este riso amargo
Do homem a soluçar, todo sombras e insultos,
Eu o escuto no riso enorme do mar largo.
Como serias bela, ó noite sem estrelas,
Que os astros falam sempre claro em sua luz!
Busco o infinito negro e os precipícios nus!
Em que surgem, a vir de meu olho, aos milhares,
Seres vindos do além de rostos familiares.
Material Utilizado: garrafas pets, meias de nylon, peças de roupa, boneca de plástica, pulseira de semente, tinta, gesso, caixa de papelão.
Material Utilizado: garrafas pets, meias de nylon, peças de roupa, boneca de plástica, pulseira de semente, tinta, gesso, caixa de papelão.
Por sobre os pantanais, os vales orvalhados,
Por sobre o éter e o mar, por sobre o bosque e o monte,
E muito além do sol, muito alem do horizonte,
Para além dos confins dos tetos estrelados,
Meu espírito, vais, com toda agilidade,
Como um bom nadador deleitado na onda,
Sulcas alegremente a imensidão redonda,
Levado por indizível voluptuosidade.
Bem longe deves voar destes miasmas tão baços;
Vai te purificar por um ar superior,
E bebe, como um puro e divino licor,
O claro fogo que enche os límpidos espaços.
E por trás do pesar e dos tédios terrenos
Que gravam de seu peso a existência dolorosa,
Feliz este que pode de asa vigorosa
Lançar-se para os céus lúcidos e serenos!
Rumo ao céu da manhã em vôo ascensional,
Que plana sobre a vida a entender afinal
A linguagem da flor e da matéria sem voz!
Material Utilizado: garrafas de leite, bola de isopor, tecido, meias, papelão, tinta, gesso, recortes de jornais e revistas.

Ó musa de minha alma, amante dos palácios,
Terás, quando janeiro desatar seus ventos,
No tédio negro dos crepúsculos nevoentos,
Uma brasa que esquente os teus dois pés violáceos?
Aquecerás teus níveos ombros sonolentos
Na luz noturna que os postigos deixam coar?
Sem um níquel na bolsa e seco o paladar,
Colherás o ouro dos cerúleos firmamentos?
Tens que, para ganhar o pão de cada dia,
Esse turíbulo agitar nas sacristia,
Entoar esse Te Deum que nada têm de novo,
Ou, bufão em jejum, exibir teus encantos
E teu riso molhado de invisíveis prantos
Para desopilar o fígado do povo.
Material Utilizado: caixas de leite, tecidos, flores artificiais, tinta, gesso, recortes de jornais e revistas.

Foi minha juventude não mais que um vendaval
Em que raro brilharam os Sóis como espelhos;
Nela a chuva e o trovão fizeram estrago tal
Que sobram no jardim poucos frutos vermelhos.
Eis que chego ao Outono do pensamento,
E usarei pá e ancinho por manhãs obscuras
Para juntar de novo o solo lamacento
Com crateras enormes como sepulturas.
Quem sabe se a flor nova que meu ser anseia
Achará neste chão lavado com a areia
O místico alimento que lhe dá vigor?
Devora o tempo a Vida, ó suprema agonia!
Se rói o coração o inimigo traidor,
Cresce por se nutrir desta nossa anemia!
Material Utilizado: caixas longa vida, tecidos, banco de plásticos, discos de vinil, pedras coloridas, chapas de radiografia, CDs e DVDs, tinta, gesso, recortes de jornais e revistas.

Imploro-te piedade,a Ti, razão de amor,
Do fundo abismo onde minha alma jaz sepulta.
É uma cálida terra em plúmbea névoa oculta,
Onde nadam na noite a blasfêmia e o terror;
Por seis meses um morno sol dissolve a bruma,
E durante outros seis a noite cobre o solo;
É um país bem mais nu do que o desnudo pólo
- Nem bestas, nem regatos, nem floresta alguma!
Não há no mundo horror que comparar se possa
À luz perversa desse sol que o gelo acossa
E à noite imensa que no velho Caos se abriu;
Invejo a sorte do animal mais vil,
Capaz de mergulhar num sono que o enregela,
Enquanto o Dédalo do tempo se enovela.
Material Utilizado: vaso de cerâmica, recortes de exposição fotográfica, tecidos, isopor, garrafas de leite, tinta, gesso, recortes de jornais e revistas.
A PRECE DE UM PAGÃO
Não deixeis esfriar tua chama!
Minha alma entorpecida aquece,
Volúpia, inferno de quem ama!
Escuta, diva, a minha prece!
Deusa no espaço derramada,
Flama que dentro em nós desperta,
Atende a esta alma enregelada,
Que um brônzeo cântico te oferta.
Volúpia, abre-me a tua teia,
Toma o perfil de uma sereia
Feita de carne e de veludo,
Ou verte enfim teu sono mudo
No vinho místico e disforme,
Volúpia, espectro multiforme!

