segunda-feira, 20 de abril de 2009

Caminhos da Sexualidade Feminina

Os Caminhos Da Sexualidade Feminina.
Odegine Graça.
Palavras chaves : Gozar, Sexualidade feminina, Mulher e historia da sexualidade, o feminino sagrado, o feminino profano, quetões de gênero, mulheres santas, questões de virgindade.

O gozo feminino partindo do sagrado até a profanação do mesmo. Vem trazendo as questões do feminino a tona. faz necessário repensarmos as questões do feminino desde a mais tenra antiguidade, para compreendermos o gozo como era dado, postulado na ordem divina da natureza. O feminino na antiguidade era visto e vivido como sagrado. O tempo roubou a imagem sagrada da mulher, e passou a demonizar os símbolos da deusa alegre, linda livre que gozava e trazia vida, trocando essa imagem pela da virgem santa. Para os povos antigos o feminino estava estreitamente ligado a sexualidade. O ato sexual estava relacionado ao divino, os ritos sexuais eram considerados o único caminho, para o homem, entre a terra e o céu. No século III, diante das ameaças de divisão de Roma e os conflitos entre pagãos e cristãos, o imperador resolveu unificar Roma sob uma única religião: o cristianismo. O poder estabelecido em Roma, predominantemente masculino, sentia sua ascensão ameaçada pela mulher, então decidiu eliminar esse poder de criar vida, dando esse poder a um deus masculino e reduzindo a mulher a um papel de procriadora. A mulher foi então apontada como um ser negativo e o seu gozo, sua sexualidade ganhou o caráter pecador, imoral. A mulher foi então cantada em verso e em prosa como objeto do gozo imoral, aquela que impedia o homem de transcender, de chegar até Deus. A partir de então a mulher que merecia atenção e respeito era a procriadora, sem prazer sexual, aquela mulher representada pela virgem Maria. Sexo estava desvinculado do prazer. As mulheres santificadas, as mães puras, não gozavam. As transgressoras, aquelas que despertavam a libido do homem e que tinham prazer com os mesmos, eram as mulheres carnais e não mereciam atenção. Assim ficaram divididas, as mães que não gozam e as prostitutas que sentem prazer e gozam. As primeiras mereciam respeito e honra, as segundas eram relegadas ao plano da marginalidade, ao escuro, à noite, as transgressões. Ousar questionar esses valores e entregar-se a sexualidade significava o desvio do caminho divino, ou seja, viver no pecado, na maldição, na impureza. Com o a ascensão do Iluminismo, o poder de determinar papéis passou das religiões para a lógica e para ciência, mas a nova “medicina” não questionou o papel da mulher e simplesmente repetiu o discurso anterior. A era mudou e o poder da cultura manteve a associação do corpo feminino, do gozo feminino, ao diabólico, ao negativo, a loucura. Isto traçou o caminho de muitas mulheres e o destino de quase todos os casamentos e relacionamentos sexuais até os dias de hoje. Propor uma reflexão sobre o gozo feminino sob a concepção do sagrado e do profano é motivar as mulheres a repensarem seu papel na história e a questionarem sua própria história.



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